quarta-feira, 21 de outubro de 2015

É só sobre viver

-Ei, você, tudo bem? Acho que estou de volta. 
(Acho que aquela parte de mim que palpita mais forte em passos errados voltou e eu não sei o que fazer. Eu não sei o que sentir, de repente ficou tudo escuro, de repente a janela trouxe um vento mais forte e convidativo. De repente o travesseiro me trouxe você e de repente me tirou de volta me lembrando da perda tua e consequentemente do sorriso meu.)
- Eu não sei, eu só não sinto nada e ao mesmo tempo eu quero e luto para sentir algo.
(Eu quero aquela parte de volta, mas eu quero com você. De repente eu voltei no tempo e tudo parece do mesmo jeito, de repente eu parei no tempo e nos teus trejeitos. O coração aperta e o travesseiro não é fundo o suficiente, eu vou me afogar, alguém tirou meu ar, pode ser a asma, mas também pode ser você. É isso, você voltou? Veio me assombrar pelo meu lobo frontal? Era tolice pensar que tinha ido embora, não era?)
-Boba!
(Eu quero dormir, tira essa água salgada daqui, por acaso você trouxe o mar com você? Porque insiste em barrar a minha tentativa frustrada de auto suficiência? Ela já não é frustrante o suficiente pra eventualmente se espatifar sozinha no meio do caminho? Tem alguma coisa aqui, tem algo querendo sair ou entrar, tem algo que eu não sei definir. Eu enganei algumas pessoas por algum tempo, eu me enganei por mais um outro tempo, eu não precisava de ninguém não é? É isso?)
- Eu sei, deu errado, mas não pode dar certo pra todo mundo, não é? 
(Por favor, me leva com você, me tira dessa estufa, eu estou morrendo, a água está transbordando e eu tenho mais do que eu preciso pra sobreviver.)
- É só sobre viver.



segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Encanto

É você de novo?
O que me trouxe dessa vez?
Não tinha nada mais perto?

Me disseram que você não ia mais voltar,
Que aquilo que eu acreditei nunca existiu,
E ainda que tudo o que existiu foi de mentira.

Como pode você voltar assim de novo?
De mãos abanando eu tenho certeza que não.
Mas meu peito está aberto assim pra novas feridas?
Enxergou isso tudo numa conversa de meia hora?

Já me cansei de perguntar,
já me cansei de negar, sonhar.

Um passo, cá estou.
Mas isso não é suficientemente perto.
Não é suficientemente suficiente.

Você precisa de mais,
Quer talvez um pouco menos
Pra não se assustar de novo.

Mas eu não sou aquilo tudo, eu não sou todo esse interessante artefato cheio de histórias e insights. Eu não sou toda essa inocente página de livro pela metade. Eu não sou essa dissonante bola de destruição em massa.



domingo, 5 de outubro de 2014

À sua futura laranja



Quando ela estiver quieta demais pode saber, tem uma careta por vir. No momento mais inapropriado ela vai fazer uma piada e você vai rir, vai rir porque ela é engraçada e o jeito que ela ri e se diverte sozinha é contagiante. Quando der o primeiro beijo esteja preparado para ter o melhor beijo da sua vida e certifique-se de que vai segurar a mão dela logo em seguida e não vai soltar nem que ela peça. Quando ela entrar no carro, ligar o som e começar a cantar, cante com ela. Faça ela se sentir a pessoa mais importante do mundo e depois volte aos seus planos. Não se zangue, não brigue, não force a barra. Faça cafuné e beije-a na testa sempre que puder. Ela vai sempre perguntar como você está e o que tem feito no seu dia, mas não falei demais, é uma maneira dela deixar de falar do dia dela. Mas quando ela começar a falar de um problema, escute não só com os ouvidos, mas com o coração e dê a ela as palavras e os gestos que ela precisa. E enquanto tudo isso acontece e vocês se conhecem, sempre, sempre segure-a pela mão. Pelo mindinho se for preciso, porque eventualmente ela vai precisar da mão pra acender um outro cigarro e não se irrite com o cigarro, ela fuma quando ta triste, quando ta extressada, feliz, amando, e talvez até cagando se tiver chance haha. 

Também dê espaço, ela gosta de passar tempo com os amigos, e eles são incríveis e divertidos e todos bobos que nem ela e você vai ver que não tem porque achar que esta dividindo ela com os amigos, porque de fato, ela não é sua a princípio e talvez nunca seja, por isso aprenda a ama-la incondicionalmente, estando ou não com ela. E também sempre certifique-se de fazer com que as mãos dela estejam quentes. Ela vai coisar várias coisas, vai ficar peixe e vai falar mais um monte de expressão que valha, só ela tem. A rotina dela sempre é cansativa e na maioria das vezes ela se esquece de viver para ela e se preocupa até demais com os outros. E estar com você vai ser sempre uma tarefa fácil pra ela, porque ela não liga pra se alguém está pensando algo, ou se alguém se importa com qualquer situação, ela simplesmente está lá e demonstra isso na frente de todo mundo. E eventualmente em algum momento ela vai sentir que não tem direções, que tudo parece não seguir uma ordem, e que tudo é muito inconstante e é nesse momento que você não vai pressionar, apenas estar ao lado dela, mesmo que ela pareça não estar ao seu. Ela é forte, engraçada e vai se mostrar durona sempre, mas ela precisa de cuidados, assim como você de vez em quando. Desejo que vocês sejam felizes, e que você a ame incondicionalmente sem prendê-la. Com amor,
A pessoa que mais sente saudades e que vai sempre laranjá-la, independente de estar presente.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Alguém que te transborde



Acho mesmo que nasci pra gostar de alguém. Gosto de dormir de coxinha e acordar em cama separada pra não ter o risco do seu pai encontrar com a gente, apesar de gostar de passar a noite quase toda acordada te fazendo carinho. Gosto de ser espontâneo, sem jogos de sedução, sem medos de falar o que eu penso e dizer o que eu sinto e também gosto de não ter que conviver com a sensação de que sou um prêmio a ser exibido e ao mesmo tempo ser alguém que você apresenta aos seus amigos, à sua família. Gosto de te ver de pijama, óculos, cabelo preso e cara de sono, de deitar no seu ombro e assistir house, desamarrar os sapatos, te levar pra cama e te cobrir com um beijo de boa noite mesmo que seja um, ou vários e ficar te olhando enquanto dorme com um carinho na nuca. Gosto de fazer planos juntos e ao mesmo tempo ter cada um um plano separado, de dividir segredos e angústias que qualquer pessoa acharia impossível dividir por causa de ciúme ou incompreensão, gosto de compartilhar os medos e as fraquezas e saber que você está ali pra dizer que vai ficar tudo bem. Gosto de notar que com o tempo você continua a mesma tapada, lerda, e sem vergonha na cara de quando eu te conheci. Gosto de entrar no seu carro e perceber que você canta num tom absolutamente cativante e que mesmo não cantando com duplo significado o que a música tem a dizer é tudo que eu queria escutar. Gosto de te surpreender com aquele sexo demorado, de receber sua mensagem de bom dia e de receber mensagens bêbadas sem nexo e snaps extremamente estimulantes. Gosto quando acha graça de me ver sendo gay e falando coisas delicadas, e ao mesmo tempo se encanta no momento inesperado que eu pego a sua mão e tasco um beijo, assim como me encanto quando você fica quieta e quando eu olho tem uma careta. Gosto de concordar com alguma coisa e fazer aquele hi five maroto, de falar a mesma coisa na mesma hora, de perceber o tanto que somos iguais e ao mesmo tempo diferentes. Quando eu to contigo eu não preciso de amor quase o tempo todo, porque ao seu lado nunca tive que pedir e clamar por atenção, ou não costumava. Gosto de me sentir importante, de saber que quem você gosta confia em você pra lhe contar o seu dia, por mais monótono que tenha sido. Gosto de ter aquele arrepio forte quando você morde a boca, quando fala que ta com saudade, quando descreve uma situação intensa que já aconteceu e quando cita os meus pontos fracos. Você não é a minha primeira mulher. Sei também que já amou antes, e acho fascinante aprendermos a lidar com o passado um do outro, mesmo que esse passado tenha um lugar não reservado no presente. O que aprendi ao seu lado nenhuma escola poderia me ensinar. Aprendi o que é ser companheiro, o que é confiar em alguém e o que um engenheiro de produção faz. Aprendi que o ciúme é fruto da falta de autoconfiança, que sogra, mesmo sem saber que é sogra, pode te fazer rir com fotos antigas de família e que sogro, nas mesmas condições, consiga te entreter com piadas tão sem graça que você acaba chorando de tanto rir, que conversar contigo na hora do jogo de lógica no celular é quase como falaz sozinho, que não existe isso de “toda mulher é igual”, que é possível se apaixonar pela mesma pessoa por diversas vezes, que pessoas bem orientadas tendem a ter o mesmo gosto para atrizes de seriados e que vale sim a pena entregar-se e dedicar-se a um relacionamento, mesmo que ele não tenha uma definição clara. Mais do que tudo isso, eu aprendi a ser uma pessoa melhor e saber conviver com as diferenças. Não, não é que eu precise de algo para me completar, mas é mesmo mágico ter alguém que me ajude a transbordar. E hoje eu sou o cara mais idiota do mundo porque te fiz definir tudo isso e dar um nome, cobrar e clamar por uma coisa que não era planejada, por te forçar a pensar sobre o que não quer, por tentar construir um relacionamento e querer que você supere o medo de estragar as coisas e me prejudicar com a sua insconstância. Todo mundo um dia na vida tem que experimentar a sensação de ter alguém que te transborde e é uma pena que eu não seja essa pessoa pra você.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Ela disse sem se acomodar.

Start Again by Gabrielle Aplin on Grooveshark

Ela colocou a mão no meu cabelo e disse: Amor, isso não vai passar. Eu olhei assustado, de fato não sabia o que falar. O que a gente diz depois de transar? O que a gente não diz? Eu a tinha nos meus braços e ela tremia e nem ao menos eu sabia se devia continuar. Ela me disse que a vida é um tanto complicada e que a estrada, ela simplesmente não sabia onde ia dar. Achei estranho o fato de olhar e rir sempre de lado, de não puxar assunto e ser um tanto quanto indelicada. Mas é o que dizem, a destreza está em ver o o que você não quer enxergar. Ela sussurra ao pé do ouvido, acho que não vai aguentar. O peso e o tamanho do abrigo ao qual ela tem que voltar. Mas eu disse, com os olhos turvos e bêbados, mas disse, eu preferiria ficar. Ela me disse: vai, a sua mãe vai reparar. E então se eu me lembro bem havia um feixe de luz a me iluminar. Vencido, sem roupa e sem abrigo, tentando encontrar as partes perdidas que joguei pra lá. Cada peça de roupa no chão era um dia diferente que eu tive que superar. Cada beijo trocado foi um momento guardado sem ter porque nem pra quem lembrar. Mas ela disse, isso vai passar. Ou não disse, não consegui decifrar o silêncio enquanto mudávamos de lugar. Eu disse que ela sabia onde me encontrar, na poesia que deixei debaixo da cama porque no peito não tinha lugar. Eu sei eu sei, o momento a gente tem que guardar, mas eu disse: menina, a um tempo atrás eu nem pensava em ti e mal podia sequer lembrar do beijo roubado no frio de julho passado. Ela continuou a me dizer no vácuo de algumas palavras barganhadas que eu a impus a trocar. Ah, nobre, doce e juvenil, pobre lembrança pueril do tempo que não vai voltar. Eu disse, na vida o caminho é trilhado, é tudo bem demarcado, mas a hora é o lugar. E a hora é agora e eu te chamei pra namorar. Pelo menos na minha cabeça foi assim. E ai eu percebi que aquele lugar não era a hora e que eu tinha que me calar. Sabe quando o momento é intenso? A flor da pele está a emoção e eu tinha que de algum jeito te tocar. E eu senti na pele e na espinha cada músculo mudando de lugar. Deita aqui, ela disse. Deita aqui do lado. O meu lado preferido da cama onde eu podia te abraçar. E então seu braço trocava de lugar, no frio que tava eu esquentava a mão sem saber no que aquilo ia dar. E deu, e dei e continua a dar. E eu disse vai, vai que o mundo é complicado e você tem todo um significado pra atribuir ao fato de eu tê-la beijado. Vai que o que você quer eu tenho certeza que irá conseguir. Vai que o mundo não espera que você se erga pra tentar te derrubar. Vai porque se não ao final do dia você pode se acomodar. Assim como eu me acomodei a você.

domingo, 14 de julho de 2013

Desde o sim ao fim.


















Os olhos desviam
O assunto se perde
A mão se encontra
E a pele estremece.

O beijo acontece,
O orgulho floresce.
Já não era mais assim.

O toque era quente,
O caminho trilhado,
Sorriso contente
E o beijo molhado.

Eu sinto tão intensamente
Um arrepio na espinha
Ao tocar levemente, fria e descrente
Tua boca na minha.

Mas a tal da insensatez,
O mal e a estupidez,
De se levar a sério
Tudo o que brinco
Tudo o que falo
Me faz um permanente
Desapegado e equivocado
Mal de mim mesmo.

Antes mesmo deu saber
Quem era você,
Já estava a espreita
Sem nem eu querer.

Perdidos, sumidos, nus invertidos, descrentes, malévolos, loucos e inconsequentes. Assim fica - se, ficamos, assim sempre fomos, assim sempre seremos. Desde o primeiro sim ao começo do último fim.




segunda-feira, 24 de junho de 2013

Meio Inteiro

Em meio a flores e tiros de bala de festim,
Em meio a dores eu firo o mal que há em mim.

Em meio a sorrisos e beijos eu fantasio, nós, enfim,
Em meio a doloridos seios eu me viro ao nosso fim.

Em meio as lembranças de um passado presente,
Em meio a semântica de um amado remanescente.

Em meio ao não dito que sim,
Em meio ao tal do "mito enfim.

Em meio as ilusões feitas em vão,
Em meio as emoções levadas em consideração.

Em meio a meia parte do meu coração,
Em meio a inteira doce razão.

Em meio ao meu inteiro sem ilusão,
Contemplo o fim do pecado virando perdão.

Em inteiro, ao meio do meu coração, metade segue com a minha razão.




"Ora non mi ami più ed ho sentito un colpo al cuore 
quando mi hai detto che non vuoi stare più con me".





domingo, 10 de março de 2013

É tudo que é

É a mania tola de achar
que tudo vai mais rápido do que vem
e de repente dar de cara com você.

É o ato bobo de chamar
e me esforçar enquanto
o verso prévio de lá não convém

E ao mesmo tempo que vê
a troca acontece sem nem
sequer eu perceber

É a tensão de estar
de não conseguir não te tocar,
de te abrigar e afundar nos meus braços
e perder todo o compasso estando de pé.

É o frio na barriga que dá quando
você me vê, quando você não vê
e quando você se vai.

É a esquisitice de pensar
e você simplesmente aparecer.

A bobeira de gostar
e confundir com amar.

É a insensatez da efemeridade
que veio pra me ver.

É tudo que eu penso que é, mas não é.


"Time has brought your heart to me".



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Dois

Dois

Dois mundos

Dois minutos

Dois segundos

Dois apegos

Dois desejos, dói([s]im).

Dois problemas

Doi(s)em solução.

Dói sem lugar, sem expressão, sem vontade de ficar. Dói amargo e sem remédio, sem critério, sem uma continuidade retilínea de pensamento e exatidão. Como se não fosse aqui, se não fosse em lugar nenhum, se estivesse tudo errado e simplesmente as coisas não se pertencessem.

Dói melancolicamente com dois acordes e dois versos sem final.

"I wish I was special, you're so very special. But I'm a creep, I'm a weirdo, what the hell am I doing here? I don't belong here".


domingo, 9 de dezembro de 2012

É.

É sempre o medo de pisar em falso
Com pés descalços de malícia da desilusão.

É sentir a vida anestesiada por cintilantes de felicidade
Dissoando e entonando o badalar do desfecho do atual conto de fadas.

É o medo de soltar a embreagem rápido demais
E deixar morrer no meio do caminho.
Deixar sem ter algum destino
O caminho que por um motivo percorri.

É a agonia de deixar um amor no leito de morte
Sem ao menos ter tentado por uma última vez.

É enxergar que sempre tem o pra sempre
Que uma hora já não faz mais sentido ser sempre e se torna nunca.

Nunca mais. Não sei. Eu sei?
Seus olhos julgam que eu sei,
Suas palavras me empurram e me afastam pra longe
E pra longe eu irei.

É o receio de falar algo,
De não fazer algo, e de repente não ser mais eu.

É novamente o medo,
Medo da perda,
De não ser suficiente,
Ou de fazer tudo errado,
E por fim não ser mais eu.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Abastar-me-ei, pequena

São teus olhos abastados
Que a mim tornam desesperados,
Obscuros, mausoléus entrelaçados.

O curto prazo do toque à longa distância do amor,
e a cerca, o toque suave da dor.

Ah pequena,
Ta vendo só como a tristeza é amena?

Você foi e nem sequer voltou
E eu aqui, inteiro estou
Sob a lua em seu esplendor.

Desejaria a ti o meu amor.
Queria a ti, transpor,
Que aqui o desejo uma vez que ficou, passou,
Jamais repousou.

Assim como o mais leve toque da mais leve pluma,
A marca em mim não transbordou.

Você acredita pequena?
Você acredita que a todo tempo que te quis
A todo tempo que não quis, necessidade de ti jamais existiu?

O tanto faz, tanto fez que nesse momento
Aparto o adeus do desentendimento.

Via esvair-se por entre os dedos,
Por entre o tremo e o extremo.
Vi abastar-se de mim, tu, e nem sequer tremi.



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Hey, oi, como você está? Tem acompanhado as notícias ou preciso te ligar para colocar o papo em dia? Tenho te visto por ai, andando como dona do mundo, como don juan'a'. Fico pensando se você sente tanta falta de ti, como eu sinto. E de novo, tem visto as notícias? Me informaram sobre um possível transplante de coração, mas aqui estou, pensando que trocar um coração não vai mudar os fatos, apenas mudar a forma de bombear o sangue, talvez até melhore, mas é só. Preciso de um jeito, uma estratégia para driblar a minha memória, essa sim faz a realidade distorcer-se no inteiro instante que se parte junto com a última conversa inteira que tivemos. Você pode ainda não entender todo o esforço que fiz pra te manter longe, que aliás foi em vão, mas era justamente para evitar isso! Você fez as coisas terem sentido, você me provocou de tantas maneiras e me fez sentir vivo depois de tanto tempo no piloto automático. Você fez toda a dor sumir e de repente você se foi junto com ela. Eu não digo que estou sentindo tua falta,  a probabilidade de demonstrar isso é pequena, mas eu sinto mesmo assim. Eu só não vou conversar com você como antes, eu estabeleci prioridades e resolvi seguir outros instintos e talvez por isso eu tenha regredido nos anos e me sinta como naquela primavera de um ano que eu prefiro não lembrar. Eu queria apenas te dar um último abraço.

sábado, 20 de outubro de 2012

Era uma vez

Eu não tenho nada para provar, você entende isso?
Foi muito tempo presa no mesmo pensamento e no anseio de estar do lado de lá. Foi muito tempo estagnada em olhos que não eram os seus, em abraços que não eram os seus, em lábios que não lhe pertecem. Foi muito tempo fazendo a coisa errada, tomando a atitude imbecil, perdendo tempo e sentimento. Foi muito tempo me importando com a pessoa errada, com a ideia equivocada de que um você não iria aparecer. Você consegue entender que eu não consigo mais ser assim?

"Trauma: s.m. Fig. Desagradável experiência emocional de tal intensidade, que deixa uma marca duradoura na mente do indivíduo. Os psiquiatras acreditam que as experiências traumáticas ocorridas na infância levam, às vezes, à manifestação de sintomas neuróticos posteriores. Experiências emocionais ocorrem na infância de qualquer pessoa e, certamente, produzem efeitos na personalidade adulta. O estudo desses traumas ocorridos na infância desempenha importante papel no tratamento psiquiátrico que se dispensa às pessoas emocionalmente doentes.Med. Perturbações causadas por uma lesão física."

Causadas por uma lesão física. Há quem diga que final de relacionamento machuca tanto quanto lesões físicas. Que terminar um relacionamento equivale a tomar uma surra, literalmente. (Reportagem: Super Interessante http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/levar-pe-na-bunda-doi-levar-surra/?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_super)
Eu preciso que você me entenda, que é difícil confiar, que é difícil me doar, e é insuportável a ideia de lhe perder. E ao mesmo tempo é insustentável uma mudança no meio do caminho. Tudo que eu mais quero quando estou com você é de fato estar com você e tudo que eu quero quando não estou é me encontrar, leve para o lado egocêntrico positivo.





"Come on skinny love, just last the year".

Nosso Relacionamento

Seus olhos, seus olhares
Seus paradigmas de sentimento
Seu abraço, sua cisma, seu carinho

Minha desavença, minha descrença
Meu desespero e áspero penar

Suas manias, sua implicancia
Sua malevolência e displicência
Seu jeito de pensar

Meu medo, meu anseio,
Minha vontade de mudar

Nosso relacionamento

domingo, 16 de setembro de 2012

(Re)Começar




Ela olhou para os lados com aquela expressão que só ela conseguia fazer e encaixou novamente seus fones de ouvidos sem dar importância a nada. Alguns interpretavam aquela atitude como nervosismo, outros como mal humor e alguns brincavam dizendo que era tpm mas, dentro dela estava acontecendo uma guerra. Só ela sabia de como aquela vontade de gritar a perturbava, e aquele nó fazia reflexo no corpo todo e a dor a consumia. O seu som fazia todos esses efeitos diminuírem, ela viajava com suas musicas e se esquecia de todos em sua volta, e isso dava tranqüilidade a ela. Já tinha algum tempo que ela havia se esgotado das pessoas, de suas mentiras e suas falsidades porem, algo ainda fazia ela não desistir. Ela se esgotou e desistiu, cansou de tudo e todos. Sem saber pra onde correr se refugiou em si mesma. A guerra estava cravada. Todos seus problemas, tormentos, magoas e decepções se acumularam e explodiu como uma bomba dentro de si. O estrago foi tão grande que abalou todas suas estruturas ate seu ponto mais forte. Ela sabia que daquela vez, ela realmente estava no fundo do poço e o pior, não havia ninguém para socorrer. O desespero tomou conta do seu ser, sua cabeça doeu por dias e sua expressão não mudou e sua voz se quer saiu. Ela estava abalada, exausta de resolver sempre as coisas, de ser forte o tempo todo. A ultima briga, foi o ápice para acabar com tudo. Ela foi chamada de árvore seca que não gera frutos. Ela que sempre mantinha o sorriso no rosto e tentava confortar a todos esquecendo muitas vezes dela mesmo, seria ela então uma arvore seca? Ela não sabia por onde se organizar, os dias corriam e só traziam mais decepções. A musica a embalou por semanas enquanto seus pensamentos iam se organizando e algo ia dizendo a ela "Pô, acorda menina. Dá a volta por cima. Seja forte. Seja você''. Os dias passaram, ela tirou o fone de ouvido e teve um choque. Imediatamente seus pés sentiram o chão firme novamente e ela respirou fundo sentindo aquela brisa tomar conta do seu corpo que já havia cicatrizado e ela teve certeza que havia mudado. Ela voltou a caminhar mais segura de si mesmo. Os outros agora a chamavam de anti-social, mas ela sabia que não era isolamento, era preguiça de se socializar com pessoas imbecis. A dor e sua experiência a transformou. Ela estava com novos pensamentos, novos olhares e novas expectativas. Ela zerou tudo em sua vida e começou novamente. Sim, ela zerou suas amizades, seus colegas, seus conhecidos, seus apoios e suas prioridades. Dai pra frente ela sabia que só ocuparia algum lugar em sua vida quem merecesse. Mesmo estando sem forças para lutar contra os filhos da puta que queriam a ver mal, ela continuo sorrindo de cabeça erguida. Ela estava confiando em si mesma de novo, se permitindo, porque ela sabia que podia muito, que merecia muito. Uma coisa ela aprendeu com tudo isso: A vida te muda, mesmo você não querendo. Ela te obriga a crescer, te obriga a mudar. Ela começou a ser melhor com ela mesmo, menos dura. Ela estava se recompondo aos poucos ainda, mas, havia dado o primeiro passo que era COMEÇAR! E dessa vez ela não conseguia se segurar e não gritar: "Que venham novos sorrisos. As novas histórias e novas pessoas!"

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Shait

Eu não tenho motivos pra reclamar, mas mesmo assim o faço. Eu não tenho motivos pra lembrar dela, mas mesmo assim o faço. Tá tudo bem entende? E eu não sei lidar com isso. Sempre foi bagunçado, sempre quando algo estava bem tinha alguma coisa estragada. Eu não sei conviver com felicidade o tempo inteiro, eu simplesmente não consigo. Me irrita ser feliz o tempo inteiro, e isso não significa que eu queira sair pulando de janelas por ai. Eu consigo viver com o mais o menos. Entende agora que eu nunca fui melhor do que você? Entende agora que eu sou um pedaço de nada? Eu nunca movi uma palha pra tentar ser melhor do que você, e ao contrário disso, eu sempre me senti uma pedaço de nada perto de você. Você com sua beleza simétrica e olhos oblíquos, com sua delicadeza, maestria, boa vontade e educação. Entende agora o pedaço de nada que eu sou perto de você? Entende agora que todo mundo sempre gosta mais de você do que de mim? A única diferença é que eu não demonstro isso, eu supero. Porque eu acabei aprendendo entre umas e outras que vai ter sempre alguém melhor do que você pelo simples fato de você cogitar ser pior do que alguém. It's funny! A gente nunca consegue conviver com o melhor, tem sempre que estragar alguma coisa, eu mesma estou sempre quebrando algumas garrafas no lugar errado. Até agora estão inteiras, mas até quando? Até quando vou ter que suportar essa mediocridade de conceito infeliz feliz? Ter alguém não significa ter uma vida melhor, as vezes piora cem vezes mais. Ser feliz implica em muitas coisas, ser feliz o tempo inteiro não faz sentido. Mas eu tô bem, eu to tranquila.

sábado, 1 de setembro de 2012

Talvez ou De Repente

E de repente ela me vem, minha mãe abre a porta e diz: "Roupa escura pra lavar? Nossa, essa bagunça sua".

É, talvez a bagunça seja minha mesmo,
Talvez a confusão seja comigo e ao contrário do que eu digo
Eu nem goste de você.

Talvez a bagunça ultrapasse o quarto,
a vida e o consciente
A questão é: você consegue viver
com essa bagunça minha dentro da vida tua?

Você conseguiria, por gentileza, não bagunçar mais
Do que já está?
Ou talvez quem sabe, com sutileza me ajudar a arrumar?

Não adianta chamar a moça pra ajudar,
Essa bagunça toda é a gente quem tem que limpar
É a gente que tem que cuidar
Pra de repente não mofar
Pra de repente não se perder
Pra de repente se achar.



Primitivo

Mexeu, doeu de um jeito diferente, mas eu ja conhecia, eu já sabia, a gente já prevê as consequencias e diz que não vai acontecer de novo, mas claro que acontece. Sabe a hannunvaakuna? Pois é. O problema deve ser achar mesmo que tudo se baseia nas relaçoes afetivas quando na verdade tem tanta coisa pra se apreciar. As peculiaridades de repente são ampliadas e corriqueiras. Em um instante você se percebe em outro mundo alienado e cercado por uma pessoa só e não digo que isso é ruim, ao contrário, é tudo tão maravilhoso. Entretanto a gente esquece que temos instintos, que somos animais selvagens, livres e burros e que a evolução na verdade não aconteceu e ainda somos primitivos. Tão primitivos ao ponto de supervalorizar expectativas e deixar de lado as consequências. Tão primitivos ao ponto de sentirmos e demonstrarmos, sofrendo e amando. A verdade é que nesse peito bate calado uma vontade de você tão forte e tão sincera. E adivinha, descobri que também sou primitivo, mas que talvez ainda não saiba amar. É questão de acreditar e sentir, ambos abomináveis demais pra fragilidade das cicatrizes que carrego.


"Eu sei que é complicado amar tão devagarinho e eu também tenho tanto medo. Eu sei que o tempo anda difícil e a vida tropeçando, mas se a gente vai juntinho, vai bem (...) E eu me pergunto o que é que eu sou, vai ver eu não sou mesmo nada. E eu me pergunto o que é que eu fiz, vai ver eu não fiz mesmo nada. Eu penso tanto em desistir, mas afinal, não ganhei nada (...) Vê se olha direitinho pro nosso amor".




quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Últimas Notícias

Hey, oi, como você está? Tem acompanhado as notícias ou preciso te ligar para colocar o papo em dia? Tenho te visto por ai, andando como dona do mundo, como don juan'a'. Fico pensando se você sente tanta falta de ti, como eu sinto. E de novo, tem visto as notícias? Me informaram sobre um possível transplante de coração, mas aqui estou, pensando que trocar um coração não vai mudar os fatos, apenas mudar a forma de bombear o sangue, talvez até melhore, mas é só. Preciso de um jeito, uma estratégia para driblar a minha memória, essa sim faz a realidade distorcer-se no inteiro instante que se parte junto com a última conversa inteira que tivemos. Você pode ainda não entender todo o esforço que fiz pra te manter longe, que aliás foi em vão, mas era justamente para evitar isso! Você fez as coisas terem sentido, você me provocou de tantas maneiras e me fez sentir vivo depois de tanto tempo no piloto automático. Você fez toda a dor sumir e de repente você se foi junto com ela. Eu não digo que estou sentindo tua falta,  a probabilidade de demonstrar isso é pequena, mas eu sinto mesmo assim. Eu só não vou conversar com você como antes, eu estabeleci prioridades e resolvi seguir outros instintos e talvez por isso eu tenha regredido nos anos e me sinta como naquela primavera de um ano que eu prefiro não lembrar. Eu queria apenas te dar um último abraço.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Frequência AM


Nao tem solo e muito menos dedilhado
Que entone o mesmo tom da minha tristeza
É um toque de frustração e desapontamento
É esforço desnecessário para manter pontes fictícias e decisões impensadas

É um ritmo dissonante
Num mix de vários outros
Deixando o afinador sem saber qual escutar

Eu queria estar na mesma frequencia,
Mas hoje estou puro AM
Daqueles que no meio da estrada perdem o sinal
E na cidade ficam meio fracos e ruins de se escutar