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domingo, 14 de julho de 2013

Desde o sim ao fim.


















Os olhos desviam
O assunto se perde
A mão se encontra
E a pele estremece.

O beijo acontece,
O orgulho floresce.
Já não era mais assim.

O toque era quente,
O caminho trilhado,
Sorriso contente
E o beijo molhado.

Eu sinto tão intensamente
Um arrepio na espinha
Ao tocar levemente, fria e descrente
Tua boca na minha.

Mas a tal da insensatez,
O mal e a estupidez,
De se levar a sério
Tudo o que brinco
Tudo o que falo
Me faz um permanente
Desapegado e equivocado
Mal de mim mesmo.

Antes mesmo deu saber
Quem era você,
Já estava a espreita
Sem nem eu querer.

Perdidos, sumidos, nus invertidos, descrentes, malévolos, loucos e inconsequentes. Assim fica - se, ficamos, assim sempre fomos, assim sempre seremos. Desde o primeiro sim ao começo do último fim.




segunda-feira, 24 de junho de 2013

Meio Inteiro

Em meio a flores e tiros de bala de festim,
Em meio a dores eu firo o mal que há em mim.

Em meio a sorrisos e beijos eu fantasio, nós, enfim,
Em meio a doloridos seios eu me viro ao nosso fim.

Em meio as lembranças de um passado presente,
Em meio a semântica de um amado remanescente.

Em meio ao não dito que sim,
Em meio ao tal do "mito enfim.

Em meio as ilusões feitas em vão,
Em meio as emoções levadas em consideração.

Em meio a meia parte do meu coração,
Em meio a inteira doce razão.

Em meio ao meu inteiro sem ilusão,
Contemplo o fim do pecado virando perdão.

Em inteiro, ao meio do meu coração, metade segue com a minha razão.




"Ora non mi ami più ed ho sentito un colpo al cuore 
quando mi hai detto che non vuoi stare più con me".





domingo, 10 de março de 2013

É tudo que é

É a mania tola de achar
que tudo vai mais rápido do que vem
e de repente dar de cara com você.

É o ato bobo de chamar
e me esforçar enquanto
o verso prévio de lá não convém

E ao mesmo tempo que vê
a troca acontece sem nem
sequer eu perceber

É a tensão de estar
de não conseguir não te tocar,
de te abrigar e afundar nos meus braços
e perder todo o compasso estando de pé.

É o frio na barriga que dá quando
você me vê, quando você não vê
e quando você se vai.

É a esquisitice de pensar
e você simplesmente aparecer.

A bobeira de gostar
e confundir com amar.

É a insensatez da efemeridade
que veio pra me ver.

É tudo que eu penso que é, mas não é.


"Time has brought your heart to me".



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Dois

Dois

Dois mundos

Dois minutos

Dois segundos

Dois apegos

Dois desejos, dói([s]im).

Dois problemas

Doi(s)em solução.

Dói sem lugar, sem expressão, sem vontade de ficar. Dói amargo e sem remédio, sem critério, sem uma continuidade retilínea de pensamento e exatidão. Como se não fosse aqui, se não fosse em lugar nenhum, se estivesse tudo errado e simplesmente as coisas não se pertencessem.

Dói melancolicamente com dois acordes e dois versos sem final.

"I wish I was special, you're so very special. But I'm a creep, I'm a weirdo, what the hell am I doing here? I don't belong here".


domingo, 9 de dezembro de 2012

É.

É sempre o medo de pisar em falso
Com pés descalços de malícia da desilusão.

É sentir a vida anestesiada por cintilantes de felicidade
Dissoando e entonando o badalar do desfecho do atual conto de fadas.

É o medo de soltar a embreagem rápido demais
E deixar morrer no meio do caminho.
Deixar sem ter algum destino
O caminho que por um motivo percorri.

É a agonia de deixar um amor no leito de morte
Sem ao menos ter tentado por uma última vez.

É enxergar que sempre tem o pra sempre
Que uma hora já não faz mais sentido ser sempre e se torna nunca.

Nunca mais. Não sei. Eu sei?
Seus olhos julgam que eu sei,
Suas palavras me empurram e me afastam pra longe
E pra longe eu irei.

É o receio de falar algo,
De não fazer algo, e de repente não ser mais eu.

É novamente o medo,
Medo da perda,
De não ser suficiente,
Ou de fazer tudo errado,
E por fim não ser mais eu.

sábado, 20 de outubro de 2012

Nosso Relacionamento

Seus olhos, seus olhares
Seus paradigmas de sentimento
Seu abraço, sua cisma, seu carinho

Minha desavença, minha descrença
Meu desespero e áspero penar

Suas manias, sua implicancia
Sua malevolência e displicência
Seu jeito de pensar

Meu medo, meu anseio,
Minha vontade de mudar

Nosso relacionamento

sábado, 1 de setembro de 2012

Talvez ou De Repente

E de repente ela me vem, minha mãe abre a porta e diz: "Roupa escura pra lavar? Nossa, essa bagunça sua".

É, talvez a bagunça seja minha mesmo,
Talvez a confusão seja comigo e ao contrário do que eu digo
Eu nem goste de você.

Talvez a bagunça ultrapasse o quarto,
a vida e o consciente
A questão é: você consegue viver
com essa bagunça minha dentro da vida tua?

Você conseguiria, por gentileza, não bagunçar mais
Do que já está?
Ou talvez quem sabe, com sutileza me ajudar a arrumar?

Não adianta chamar a moça pra ajudar,
Essa bagunça toda é a gente quem tem que limpar
É a gente que tem que cuidar
Pra de repente não mofar
Pra de repente não se perder
Pra de repente se achar.



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

De volta

Vou tirando a poeira e pedindo pra entrar de novo
Me pondo no meu lugar esperando poder voltar,
Esperando poder continuar

A porta aberta que ficou
Entre o receio e o desamor
Que nas palavras havia refúgio
E na aurora o esplendor

Sinto-me desolê,
Meio perdido
Meio sozinho
Sinto-me eu

De volta a madrugada
À labuta da palavra
E ao receio de escrever e ela ler


terça-feira, 20 de março de 2012

Queria-te


Queria lhe ver com olhos de um desconhecido
Abstrair todos os afetos e preceitos
E simplesmente te ver como aquela
Com quem cruzei numa esquina dos corredores da faculdade

Queria lhe tocar com mãos menos puras
Porque o fato é que as mãos que lhe tocam
Te cultuam tanto ao ponto de se “virginarem”
Para cometer tal atrocidade

Queria lhe falar com uma voz menos inquieta
Talvez falar de forma mais dura e sensível
Trocar palavreados de desconhecidos
E apenas lhe pedir desculpas pelo atropelamento anterior

Desejo lhe ver com olhos resquiados
Ver-te com olhar sincero de quem não julga
De quem não pede nada em troca
Com toques mais suaves e poucos
E voz mais firme

Desejo-te cruelmente distante de mim
Cruelmente desconhecida pelos sentidos meus.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Papo Malandro


Esse papo malandro que escuto de lá
Defendendo com o coração o lado de cá,
Doce desejo, tão puro e tão meigo,
Que pulsa o segredo do que deixei passar.

Me use de um jeito, de outro não serve.
Eu vejo o que acontece,
Me calo em acalanto,
Porque o doce desejo de volta ao peito me faz recitar.

Recitar à noite que vi passar no balanço de um beijo,
No pulsar de um desejo e na rapidez de um piscar.
Ê, balança a roda, pesa a vida, o momento se passa e sobra a ferida.

Ferida do roubo do beijo que vi passar,
Ferida do olhar que cruzas com o outro antes deu chegar!
Ferida do abraço apertado que dei todo calado
Ao por fim desprender-te de mim.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Brado irretumbante* do almado descontente

E aquele grande amor que se tem, quiça tão pouco que ha desdém.

Da vida inteira que bradei a ti, o triste belo lhe sorri.


A ti, entregarei minhas rimas,

Cruas realidades ínfimas de um acaso predestinado, idolatrado

De um brado irretumbante* de um almado descontente.


Salve o peito cheio de amor profano,

Salve salve a alma que atordoa o incapaz de se apaixonar.

Salve a idocrasia do infiel procrastinado e a paz dos atordoados!


Ah, que belo dia de ultimas glórias

Salve ao último que amanhã será primeiro

E ao esquecimento da lembrança que a ti permeio.


Um brinde ao dissonante soar da meia-noite.



Neologismo - Irretumbante, antônimo para retumbante. Que não ecoa.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Ela

Traga-me o Borboun.
Convide todos e a ela, por favor,
mande rosas contempladas de amor.

Embriague-me com um pouco do surrealismo de Dalí
E depois me traga a mulher mais bonita do salão.
A farei mais bela ainda e sensual num quadro com tinta à oleo pintadas a dedo por aqui.

Traga-me a mágica e o badalar do sino à meia-noite.
Devolva-me a chuva e o toque atordoado que profiro
Olhando gentilmente nos teus olhos com significados afoitos de fina corte.

Direi a todos que és ela a beleza mais rara do salão.
Farei com que todos notem e admirem a beleza com que a tenho,
Entretanto, ela jamais saberás que nutro tal paixão.

A ela entregarei meus medos,
A ela ferirei descasos a fim de casos como romances franceses.
A ela devolvo a desilusão de amar-me profundamente e dou a dúvida e o amor por entrelinhas.
A ela dou-me por inteiro faltando um pedaço do meu coração.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Dias remotos, saudade incomensurável

Dias que a saudade incomoda,
Que bate no fundo do peito e na alma chora.
Dias que temos dias assim como dias assim
Cercados de mim e de ti.

Dias que por fim eu tenho um fim
Dotado de saudades sem fim, enfim,
Aqui bate uma saudade,
Saudade de tempos remotos e distantes
Quando a preocupação era mínima
E a amizade era primordial.

Saudade de ti, saudade de mim,
Saudade de dias que te tive em mim.
E hoje vejo o que hoje já não quero mais ver,
Que tenho saudade.

Até concordo com todo aquele blablabla
Que só se tem saudades do que valeu a pena,
Mas olha, preferia ter meus momentos de volta
Do que essa certeza de ter valido a pena.

Preferiria ter os meus amigos, as brincadeiras, as despreocupações e amores de antes. Nesses dias remotos a saudade aperta até ficar incomensurável demais pra um começo de terça-feira qualquer. E por fim, são dias assim que sinto saudade de mim.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ah, se tu soubesse!

Tu ficas vagando a mercer de olhos contemplados com paixão

Deliciando-te ao ouvir uma música e pensar o quanto seria mais

Interessante se a dedicasse a alguém numa noite cuja

Lua se faz tão presente em nossa janela, janela da alma

Hoje fechada por uma pálpebra qualquer.


Mas essa dedicatória viria cheia de complicações e significados,

Coisas que não queremos nos dedicar de peito cheio.

Com mãos atadas advindo do caso passada, não ha nada que

Eu te diga que não contenha significado, mesmo que eu lhe diga

Totalmente o contrário de um amor atordoado.


Vale a pena ter um aliado quando quer colocar significado

No imenso pudor de amar alguém que não se conhece.

Vem sempre a me pedir abraços e eu sempre a afastá-los

Como quem não quer mais se envolver com acasos.


E nessa hora da manhã em que fico aqui deitado,

Com a alma aberta a novos pecados, te vejo de tão longe

Que os olhos suspeitam da agonia de querer tê-la mais perto.


Ah, se tu soubesses do suspiro que dou calado,

Atordoado pela presença tua.

Se soubesse que esqueço da outra pra lembrar de ti.

Ah, se tu soubesse!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Mal feito

Eu ainda vou rir disso
Dessa falta de sorte
Dessa angústia
Desse sofrimento
Desse tormento
Essa dor tremenda
Falta de sorte horrenda
Eu ainda vou rir de tudo isso

Vou chorar de alegria
Tanta dor eu vou sentir,
Tudo de tanto rir
Dessa tremenda agonia
Não é por que hoje tá ruim
Que agora vou desistir
Há eu vou é rir, quando tudo isso passar
Já posso rir só de imaginar as gargalhadas que eu vou dar
E não venha me dizer que isso não é passageiro
Porque eu tenho na minha bagagem a felicidade e
Carrego pra onde eu for
Mostro pra tudo quanto é dor
Quenão tem melhor doutor, você não vai imaginar

Eu vou rir do tropeção
Vou rir do palavrão
E da careta que meu pai fazia, quando me dizia não
Vou rir da cachorra
Que queria me pegar
Do emprego que ainda não arrumei
Daquele dia quando a calça rasgou
Do prego que eu coloquei na chinela
Há, mas eu vou rir dessa miséria
Época que eu sabia aproveitar

Eu vou rir do sorriso da minha avó
Que ria da minha cara de zangada
Eu meio que abestalhada
Não sabia o que falar
Minha avó ria
E eu menina besta
Querendo fazê-la chorar

Mas eu vou rir de tudo isso
É só o tempo passar
Pra esquecer tudo
E começar a me lembrar
Que nem naquela vez ,
A menina me chamou de “cabido”
E eu nunca mais vi ninguém
Essa bendita palavra usar
Eu feito besta botando gosto ruim pela boca
Mal sabia que o tempo,
Que todas as dores carrega
A minha também ia levar


E não é só o tempo que passa
É tudo
E se não passou ainda
É por que vai passar
As dores
O medo
A época de solteira
O tempo de casar
Só não passou ainda
Nem eu quero que passe
O Tempo de sorrir e de se alegrar

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cedo ou Tarde

Devias saber
que é sempre tarde
que se nasce, que é
sempre cedo
que se morre. E devias
saber também
que a nenhuma árvore
é lícito escolher
o ramo onde as aves
fazem ninho e as flores
procriam.

Albano Martins

Forte

Hoje, que a muito estou apartada,
vejo os motivos pelo qual eu
realmente tenho que continuar forte.

Forte e não com sorrisos falsos.
Forte como quem perde tudo
e ainda sim consegue ser otimista.

Ser desses que se resolvem
e resolvem os problemas dos outros,
esses que derramam uma lagrima de felicidade
de quem já não conseguia nem mais rir.

Ser forte, desses que fraquejam pela pessoa que ama.



Faça os gestos certos,
o destino vai ser teu aliado,
ouço uma voz dizendo do fundo mais fundo do passado.

Hoje, não faço nada direito,
que é preciso muito mais peito
pra fazer tudo de qualquer jeito.

Ai do acaso, se não ficar do meu lado.

paulo leminski

segunda-feira, 21 de março de 2011

Recortes

Se eu pudesse representá-la
Numa imagem, a colocaria
na forma de um sorriso.

Se eu pudesse expressar
O teu sorriso numa imagem,
O colocaria como um sol emitindo luz intensamente

E assim a noite vai
Me invadindo e as nuvens
Vão tomando a lua por completo
E nesse momento quero apenas sobreviver

E é agora que mais sinto
A tua falta, quando todos
Vão embora do meu pensamento e
Fica a vaga lembrança de tua
Beleza trivial, fugaz e impressionante

Agora tudo gira e tudo some e a
Lua foi tomada por comleto.
Tudo aparece de repente e eu
Não sei como sentir e nem mesmo
Sei o que pensar

E vejo as paixões que tive e tenho
Sumindo, elas somem como quando
Uma nuvem negra tampa a lua e ela
Desaparace e a beleza incubida a ela
Some junto com todas as outras coisas

E é agora, é o momento em que
Sua falta é sentida e chorada!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sem Respostas

Te gritei, você
Olhou, saiu e
Fez que não me viu.

Um dia sem você eu
Consigo aguentar, mas
Te ver sem ter teu abraço é
Pior do que não vê-la nunca

Meu sorriso apareceu escancarado
E desapareceu numa fração de segundos
Ao ver que ignorou totalmente o
Meu chamado.

Aquela parte arrancada de meu peito
Cicatrizada a 5 meses atrás
Se fez presente no exato momento
Que não te encontrei.