sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Bate sem parar a pele e arrepia o coração que faz o cérebro se encher de borboletas e o estômago pensar desenfreado. Os olhos tremem, as maos piscam, a pele bambeia, as pernas suam e o olfato cala a medida que a boca percebe o perfume teu. E você ainda acredita quando os ouvidos pronunciam que te odeio!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

De volta

Vou tirando a poeira e pedindo pra entrar de novo
Me pondo no meu lugar esperando poder voltar,
Esperando poder continuar

A porta aberta que ficou
Entre o receio e o desamor
Que nas palavras havia refúgio
E na aurora o esplendor

Sinto-me desolê,
Meio perdido
Meio sozinho
Sinto-me eu

De volta a madrugada
À labuta da palavra
E ao receio de escrever e ela ler


terça-feira, 20 de março de 2012

Queria-te


Queria lhe ver com olhos de um desconhecido
Abstrair todos os afetos e preceitos
E simplesmente te ver como aquela
Com quem cruzei numa esquina dos corredores da faculdade

Queria lhe tocar com mãos menos puras
Porque o fato é que as mãos que lhe tocam
Te cultuam tanto ao ponto de se “virginarem”
Para cometer tal atrocidade

Queria lhe falar com uma voz menos inquieta
Talvez falar de forma mais dura e sensível
Trocar palavreados de desconhecidos
E apenas lhe pedir desculpas pelo atropelamento anterior

Desejo lhe ver com olhos resquiados
Ver-te com olhar sincero de quem não julga
De quem não pede nada em troca
Com toques mais suaves e poucos
E voz mais firme

Desejo-te cruelmente distante de mim
Cruelmente desconhecida pelos sentidos meus.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Papo Malandro


Esse papo malandro que escuto de lá
Defendendo com o coração o lado de cá,
Doce desejo, tão puro e tão meigo,
Que pulsa o segredo do que deixei passar.

Me use de um jeito, de outro não serve.
Eu vejo o que acontece,
Me calo em acalanto,
Porque o doce desejo de volta ao peito me faz recitar.

Recitar à noite que vi passar no balanço de um beijo,
No pulsar de um desejo e na rapidez de um piscar.
Ê, balança a roda, pesa a vida, o momento se passa e sobra a ferida.

Ferida do roubo do beijo que vi passar,
Ferida do olhar que cruzas com o outro antes deu chegar!
Ferida do abraço apertado que dei todo calado
Ao por fim desprender-te de mim.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Não mais

Escrevi na pele este desejo meu, este inteiro desejo que me consome, cerca e domina como quem por uma vida inteira não tivesse aprendido mesmo com todos os tapas na cara que a vida deu e claro aquele tapa especial que só o amor consegue dar. Escrevi aqui toda a rotina do desejo interno que escondi de ti e hoje já não pertence mais a mim, ficou com os anos que passaram. Me sinto como alguém que tivesse que seguir em frente, alguém que está conseguindo construir outra vida, uma vida independente valorizada após cada gota de suor e machucado em cima de um salto de agrado à quem me via como desleixo completo competente. Eu vou surpreender sempre que duvidar , eu vou fazer sempre que eu quiser sobressair e provar o meu valor. Falei por músicas, por textos e versos perdidos e incompreendidos aos olhos teus. Falei por vozes de um texto digitado, voz embriagada e transmitida a ti por um aparelho criado por Graham Bell. Transmiti mais ondas psicológicas do que pensamentos sensatos que me fariam uma pessoa melhor. Me consumi, fui consumida, me deixei consumir.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Brado irretumbante* do almado descontente

E aquele grande amor que se tem, quiça tão pouco que ha desdém.

Da vida inteira que bradei a ti, o triste belo lhe sorri.


A ti, entregarei minhas rimas,

Cruas realidades ínfimas de um acaso predestinado, idolatrado

De um brado irretumbante* de um almado descontente.


Salve o peito cheio de amor profano,

Salve salve a alma que atordoa o incapaz de se apaixonar.

Salve a idocrasia do infiel procrastinado e a paz dos atordoados!


Ah, que belo dia de ultimas glórias

Salve ao último que amanhã será primeiro

E ao esquecimento da lembrança que a ti permeio.


Um brinde ao dissonante soar da meia-noite.



Neologismo - Irretumbante, antônimo para retumbante. Que não ecoa.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Turn around, get over and move on.

Por algum motivo as coisas não deram certo. Sua vida seguiu por um caminho e a dela dobrou duas quadras mais para a frente. Você fica se perguntando o que aconteceu, o que deu errado, por que vai ter que enfiar todos os planos dentro da nécessaire, fechar e ficar um tempão sem abrir novamente. A gente passa por diversas fases. Sentimos raiva, sentimos dor, sentimos revolta, sentimos desprezo, sentimos saudade, sentimos amor, sentimos medo de nunca mais esquecer, sentimos medo de gostar de novo, sentimos vergonha e receio em repetir os mesmos erros bobos. Demorei muito para acreditar na mais louca e cruel verdade: quem gosta de você vai te tratar bem. Quem gosta de você se importa, quer o melhor, te procura, te liga, te dá satisfação. Quem gosta quer estar junto. Quem gosta demonstra de alguma maneira, mesmo que discreta. Quem gosta faz planos. Quem gosta apresenta para a família e amigos. Quem gosta manda uma mensagem bobinha só pra dizer que ama. Quem gosta carrega uma foto sua dentro da carteira pra ver quando dá saudade. Quem gosta abraça na hora de dormir. Quem gosta dá um beijo de boa noite e de bom dia. Quem gosta aguenta suas reclamações, sua cólica infernal, suas manhas e manias. Me desculpa, mas não existe medo que seja maior que um sentimento ou emoção. Não existe timidez que seja mais forte que uma declaração de amor. Não existe distância que deixe uma relação morrer se as duas pessoas querem ficar coladinhas. Não existe estou-dividido-entre-ela-e-você. Quem gosta pode se perder, mas sempre vai saber pra onde quer voltar. A gente demora pra aceitar, arruma novecentas desculpas para a falta de jeito da outra. Ah, ela é confusa. Ah, ela está tensa. Ah, ela tem medo. Ah, ela é maluca. Ah, ela isso. Ah, ela aquilo. Desculpa, mas quem quer estar junto pensa ah, que saudade. Ah, que falta ela me faz. Quem gosta, gosta. Sem complicações. Sem armações e armaduras. Infelizmente, antes de seguir em frente tentamos interpretar as ações e atitudes da pessoa indecisa. Ela respondeu assim por tal motivo. Ela falou isso querendo dizer tal coisa. Ela isso, mas tenho certeza que ela aquilo. Quem gosta dá certeza do que sente. Quem gosta te olha com sinceridade. Quem gosta não faz joguinho nem te deixa pela metade. Quem gosta quer te deixar segura. Por bem ou por mal, precisamos abandonar um sentimento que não traz nada de bom. Simples assim. O momento em que você percebe que o outro não te quer é mágico. A gente acorda, se sente nova, se sente livre. É claro que não se afoga um sentimento do dia para a noite. Mas a gente tenta preencher aqueles espaços com coisas novas: músicas diferentes, bons livros, trabalho, amigos, decoração da casa, um animal de estimação. Tudo serve para animar, renovar, encher a casa, a vida e preencher o tempo, costurar e remendar nossas feridas. É claro que vai doer, é claro que você vai sentir, é claro que o sentimento ainda vai latejar por um tempo. Mas a gente supera a partir do momento em que decide o que merece.