quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Frequência AM


Nao tem solo e muito menos dedilhado
Que entone o mesmo tom da minha tristeza
É um toque de frustração e desapontamento
É esforço desnecessário para manter pontes fictícias e decisões impensadas

É um ritmo dissonante
Num mix de vários outros
Deixando o afinador sem saber qual escutar

Eu queria estar na mesma frequencia,
Mas hoje estou puro AM
Daqueles que no meio da estrada perdem o sinal
E na cidade ficam meio fracos e ruins de se escutar

Não volte como se existisse caminho de volta

Eu demorei, eu aguentei, eu topei com a cara na parede mais de duas vezes, eu desviei quando você vinha, eu corrompi os desejos, eu rasguei os papeis, eu escondi as palavras, eu deixei de pensar no seu sorriso, eu imaginei a vida com outra pessoa, eu corri atrás de mim, eu cresci, eu andei, eu continuei, eu acreditei, eu controlei todas as batidas do meu coração enquanto você estava por perto e ainda troquei minhas emoções e sorrisos por desespero e esse desespero por expressão nenhuma, pouca palavra e nenhum sentimento. E agora como se fosse a coisa mais banal do mundo você mete o bedelho na minha vida. Eu me mantive longe, se você não se controlar e não conseguir lidar com a minha felicidade eu sinceramente não sei o que pode acontecer.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Bate sem parar a pele e arrepia o coração que faz o cérebro se encher de borboletas e o estômago pensar desenfreado. Os olhos tremem, as maos piscam, a pele bambeia, as pernas suam e o olfato cala a medida que a boca percebe o perfume teu. E você ainda acredita quando os ouvidos pronunciam que te odeio!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

De volta

Vou tirando a poeira e pedindo pra entrar de novo
Me pondo no meu lugar esperando poder voltar,
Esperando poder continuar

A porta aberta que ficou
Entre o receio e o desamor
Que nas palavras havia refúgio
E na aurora o esplendor

Sinto-me desolê,
Meio perdido
Meio sozinho
Sinto-me eu

De volta a madrugada
À labuta da palavra
E ao receio de escrever e ela ler


terça-feira, 20 de março de 2012

Queria-te


Queria lhe ver com olhos de um desconhecido
Abstrair todos os afetos e preceitos
E simplesmente te ver como aquela
Com quem cruzei numa esquina dos corredores da faculdade

Queria lhe tocar com mãos menos puras
Porque o fato é que as mãos que lhe tocam
Te cultuam tanto ao ponto de se “virginarem”
Para cometer tal atrocidade

Queria lhe falar com uma voz menos inquieta
Talvez falar de forma mais dura e sensível
Trocar palavreados de desconhecidos
E apenas lhe pedir desculpas pelo atropelamento anterior

Desejo lhe ver com olhos resquiados
Ver-te com olhar sincero de quem não julga
De quem não pede nada em troca
Com toques mais suaves e poucos
E voz mais firme

Desejo-te cruelmente distante de mim
Cruelmente desconhecida pelos sentidos meus.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Papo Malandro


Esse papo malandro que escuto de lá
Defendendo com o coração o lado de cá,
Doce desejo, tão puro e tão meigo,
Que pulsa o segredo do que deixei passar.

Me use de um jeito, de outro não serve.
Eu vejo o que acontece,
Me calo em acalanto,
Porque o doce desejo de volta ao peito me faz recitar.

Recitar à noite que vi passar no balanço de um beijo,
No pulsar de um desejo e na rapidez de um piscar.
Ê, balança a roda, pesa a vida, o momento se passa e sobra a ferida.

Ferida do roubo do beijo que vi passar,
Ferida do olhar que cruzas com o outro antes deu chegar!
Ferida do abraço apertado que dei todo calado
Ao por fim desprender-te de mim.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Não mais

Escrevi na pele este desejo meu, este inteiro desejo que me consome, cerca e domina como quem por uma vida inteira não tivesse aprendido mesmo com todos os tapas na cara que a vida deu e claro aquele tapa especial que só o amor consegue dar. Escrevi aqui toda a rotina do desejo interno que escondi de ti e hoje já não pertence mais a mim, ficou com os anos que passaram. Me sinto como alguém que tivesse que seguir em frente, alguém que está conseguindo construir outra vida, uma vida independente valorizada após cada gota de suor e machucado em cima de um salto de agrado à quem me via como desleixo completo competente. Eu vou surpreender sempre que duvidar , eu vou fazer sempre que eu quiser sobressair e provar o meu valor. Falei por músicas, por textos e versos perdidos e incompreendidos aos olhos teus. Falei por vozes de um texto digitado, voz embriagada e transmitida a ti por um aparelho criado por Graham Bell. Transmiti mais ondas psicológicas do que pensamentos sensatos que me fariam uma pessoa melhor. Me consumi, fui consumida, me deixei consumir.