domingo, 10 de março de 2013

É tudo que é

É a mania tola de achar
que tudo vai mais rápido do que vem
e de repente dar de cara com você.

É o ato bobo de chamar
e me esforçar enquanto
o verso prévio de lá não convém

E ao mesmo tempo que vê
a troca acontece sem nem
sequer eu perceber

É a tensão de estar
de não conseguir não te tocar,
de te abrigar e afundar nos meus braços
e perder todo o compasso estando de pé.

É o frio na barriga que dá quando
você me vê, quando você não vê
e quando você se vai.

É a esquisitice de pensar
e você simplesmente aparecer.

A bobeira de gostar
e confundir com amar.

É a insensatez da efemeridade
que veio pra me ver.

É tudo que eu penso que é, mas não é.


"Time has brought your heart to me".



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Dois

Dois

Dois mundos

Dois minutos

Dois segundos

Dois apegos

Dois desejos, dói([s]im).

Dois problemas

Doi(s)em solução.

Dói sem lugar, sem expressão, sem vontade de ficar. Dói amargo e sem remédio, sem critério, sem uma continuidade retilínea de pensamento e exatidão. Como se não fosse aqui, se não fosse em lugar nenhum, se estivesse tudo errado e simplesmente as coisas não se pertencessem.

Dói melancolicamente com dois acordes e dois versos sem final.

"I wish I was special, you're so very special. But I'm a creep, I'm a weirdo, what the hell am I doing here? I don't belong here".


domingo, 9 de dezembro de 2012

É.

É sempre o medo de pisar em falso
Com pés descalços de malícia da desilusão.

É sentir a vida anestesiada por cintilantes de felicidade
Dissoando e entonando o badalar do desfecho do atual conto de fadas.

É o medo de soltar a embreagem rápido demais
E deixar morrer no meio do caminho.
Deixar sem ter algum destino
O caminho que por um motivo percorri.

É a agonia de deixar um amor no leito de morte
Sem ao menos ter tentado por uma última vez.

É enxergar que sempre tem o pra sempre
Que uma hora já não faz mais sentido ser sempre e se torna nunca.

Nunca mais. Não sei. Eu sei?
Seus olhos julgam que eu sei,
Suas palavras me empurram e me afastam pra longe
E pra longe eu irei.

É o receio de falar algo,
De não fazer algo, e de repente não ser mais eu.

É novamente o medo,
Medo da perda,
De não ser suficiente,
Ou de fazer tudo errado,
E por fim não ser mais eu.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Abastar-me-ei, pequena

São teus olhos abastados
Que a mim tornam desesperados,
Obscuros, mausoléus entrelaçados.

O curto prazo do toque à longa distância do amor,
e a cerca, o toque suave da dor.

Ah pequena,
Ta vendo só como a tristeza é amena?

Você foi e nem sequer voltou
E eu aqui, inteiro estou
Sob a lua em seu esplendor.

Desejaria a ti o meu amor.
Queria a ti, transpor,
Que aqui o desejo uma vez que ficou, passou,
Jamais repousou.

Assim como o mais leve toque da mais leve pluma,
A marca em mim não transbordou.

Você acredita pequena?
Você acredita que a todo tempo que te quis
A todo tempo que não quis, necessidade de ti jamais existiu?

O tanto faz, tanto fez que nesse momento
Aparto o adeus do desentendimento.

Via esvair-se por entre os dedos,
Por entre o tremo e o extremo.
Vi abastar-se de mim, tu, e nem sequer tremi.



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Hey, oi, como você está? Tem acompanhado as notícias ou preciso te ligar para colocar o papo em dia? Tenho te visto por ai, andando como dona do mundo, como don juan'a'. Fico pensando se você sente tanta falta de ti, como eu sinto. E de novo, tem visto as notícias? Me informaram sobre um possível transplante de coração, mas aqui estou, pensando que trocar um coração não vai mudar os fatos, apenas mudar a forma de bombear o sangue, talvez até melhore, mas é só. Preciso de um jeito, uma estratégia para driblar a minha memória, essa sim faz a realidade distorcer-se no inteiro instante que se parte junto com a última conversa inteira que tivemos. Você pode ainda não entender todo o esforço que fiz pra te manter longe, que aliás foi em vão, mas era justamente para evitar isso! Você fez as coisas terem sentido, você me provocou de tantas maneiras e me fez sentir vivo depois de tanto tempo no piloto automático. Você fez toda a dor sumir e de repente você se foi junto com ela. Eu não digo que estou sentindo tua falta,  a probabilidade de demonstrar isso é pequena, mas eu sinto mesmo assim. Eu só não vou conversar com você como antes, eu estabeleci prioridades e resolvi seguir outros instintos e talvez por isso eu tenha regredido nos anos e me sinta como naquela primavera de um ano que eu prefiro não lembrar. Eu queria apenas te dar um último abraço.

sábado, 20 de outubro de 2012

Era uma vez

Eu não tenho nada para provar, você entende isso?
Foi muito tempo presa no mesmo pensamento e no anseio de estar do lado de lá. Foi muito tempo estagnada em olhos que não eram os seus, em abraços que não eram os seus, em lábios que não lhe pertecem. Foi muito tempo fazendo a coisa errada, tomando a atitude imbecil, perdendo tempo e sentimento. Foi muito tempo me importando com a pessoa errada, com a ideia equivocada de que um você não iria aparecer. Você consegue entender que eu não consigo mais ser assim?

"Trauma: s.m. Fig. Desagradável experiência emocional de tal intensidade, que deixa uma marca duradoura na mente do indivíduo. Os psiquiatras acreditam que as experiências traumáticas ocorridas na infância levam, às vezes, à manifestação de sintomas neuróticos posteriores. Experiências emocionais ocorrem na infância de qualquer pessoa e, certamente, produzem efeitos na personalidade adulta. O estudo desses traumas ocorridos na infância desempenha importante papel no tratamento psiquiátrico que se dispensa às pessoas emocionalmente doentes.Med. Perturbações causadas por uma lesão física."

Causadas por uma lesão física. Há quem diga que final de relacionamento machuca tanto quanto lesões físicas. Que terminar um relacionamento equivale a tomar uma surra, literalmente. (Reportagem: Super Interessante http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/levar-pe-na-bunda-doi-levar-surra/?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_super)
Eu preciso que você me entenda, que é difícil confiar, que é difícil me doar, e é insuportável a ideia de lhe perder. E ao mesmo tempo é insustentável uma mudança no meio do caminho. Tudo que eu mais quero quando estou com você é de fato estar com você e tudo que eu quero quando não estou é me encontrar, leve para o lado egocêntrico positivo.





"Come on skinny love, just last the year".

Nosso Relacionamento

Seus olhos, seus olhares
Seus paradigmas de sentimento
Seu abraço, sua cisma, seu carinho

Minha desavença, minha descrença
Meu desespero e áspero penar

Suas manias, sua implicancia
Sua malevolência e displicência
Seu jeito de pensar

Meu medo, meu anseio,
Minha vontade de mudar

Nosso relacionamento