quinta-feira, 25 de julho de 2013
Ela disse sem se acomodar.
Ela colocou a mão no meu cabelo e disse: Amor, isso não vai passar. Eu olhei assustado, de fato não sabia o que falar. O que a gente diz depois de transar? O que a gente não diz? Eu a tinha nos meus braços e ela tremia e nem ao menos eu sabia se devia continuar. Ela me disse que a vida é um tanto complicada e que a estrada, ela simplesmente não sabia onde ia dar. Achei estranho o fato de olhar e rir sempre de lado, de não puxar assunto e ser um tanto quanto indelicada. Mas é o que dizem, a destreza está em ver o o que você não quer enxergar. Ela sussurra ao pé do ouvido, acho que não vai aguentar. O peso e o tamanho do abrigo ao qual ela tem que voltar. Mas eu disse, com os olhos turvos e bêbados, mas disse, eu preferiria ficar. Ela me disse: vai, a sua mãe vai reparar. E então se eu me lembro bem havia um feixe de luz a me iluminar. Vencido, sem roupa e sem abrigo, tentando encontrar as partes perdidas que joguei pra lá. Cada peça de roupa no chão era um dia diferente que eu tive que superar. Cada beijo trocado foi um momento guardado sem ter porque nem pra quem lembrar. Mas ela disse, isso vai passar. Ou não disse, não consegui decifrar o silêncio enquanto mudávamos de lugar. Eu disse que ela sabia onde me encontrar, na poesia que deixei debaixo da cama porque no peito não tinha lugar. Eu sei eu sei, o momento a gente tem que guardar, mas eu disse: menina, a um tempo atrás eu nem pensava em ti e mal podia sequer lembrar do beijo roubado no frio de julho passado. Ela continuou a me dizer no vácuo de algumas palavras barganhadas que eu a impus a trocar. Ah, nobre, doce e juvenil, pobre lembrança pueril do tempo que não vai voltar. Eu disse, na vida o caminho é trilhado, é tudo bem demarcado, mas a hora é o lugar. E a hora é agora e eu te chamei pra namorar. Pelo menos na minha cabeça foi assim. E ai eu percebi que aquele lugar não era a hora e que eu tinha que me calar. Sabe quando o momento é intenso? A flor da pele está a emoção e eu tinha que de algum jeito te tocar. E eu senti na pele e na espinha cada músculo mudando de lugar. Deita aqui, ela disse. Deita aqui do lado. O meu lado preferido da cama onde eu podia te abraçar. E então seu braço trocava de lugar, no frio que tava eu esquentava a mão sem saber no que aquilo ia dar. E deu, e dei e continua a dar. E eu disse vai, vai que o mundo é complicado e você tem todo um significado pra atribuir ao fato de eu tê-la beijado. Vai que o que você quer eu tenho certeza que irá conseguir. Vai que o mundo não espera que você se erga pra tentar te derrubar. Vai porque se não ao final do dia você pode se acomodar. Assim como eu me acomodei a você.
domingo, 14 de julho de 2013
Desde o sim ao fim.
Os olhos desviam
O assunto se perde
A mão se encontra
E a pele estremece.
O beijo acontece,
O orgulho floresce.
Já não era mais assim.
O toque era quente,
O caminho trilhado,
Sorriso contente
E o beijo molhado.
Eu sinto tão intensamente
Um arrepio na espinha
Ao tocar levemente, fria e descrente
Tua boca na minha.
Mas a tal da insensatez,
O mal e a estupidez,
De se levar a sério
Tudo o que brinco
Tudo o que falo
Me faz um permanente
Desapegado e equivocado
Mal de mim mesmo.
Antes mesmo deu saber
Quem era você,
Já estava a espreita
Sem nem eu querer.
Perdidos, sumidos, nus invertidos, descrentes, malévolos, loucos e inconsequentes. Assim fica - se, ficamos, assim sempre fomos, assim sempre seremos. Desde o primeiro sim ao começo do último fim.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Meio Inteiro
Em meio a flores e tiros de bala de festim,
Em meio a dores eu firo o mal que há em mim.
Em meio a sorrisos e beijos eu fantasio, nós, enfim,
Em meio a doloridos seios eu me viro ao nosso fim.
Em meio as lembranças de um passado presente,
Em meio a semântica de um amado remanescente.
Em meio ao não dito que sim,
Em meio ao tal do "mito enfim.
Em meio as ilusões feitas em vão,
Em meio as emoções levadas em consideração.
Em meio a meia parte do meu coração,
Em meio a inteira doce razão.
Em meio ao meu inteiro sem ilusão,
Contemplo o fim do pecado virando perdão.
Em inteiro, ao meio do meu coração, metade segue com a minha razão.
Em meio a dores eu firo o mal que há em mim.
Em meio a sorrisos e beijos eu fantasio, nós, enfim,
Em meio a doloridos seios eu me viro ao nosso fim.
Em meio as lembranças de um passado presente,
Em meio a semântica de um amado remanescente.
Em meio ao não dito que sim,
Em meio ao tal do "mito enfim.
Em meio as ilusões feitas em vão,
Em meio as emoções levadas em consideração.
Em meio a meia parte do meu coração,
Em meio a inteira doce razão.
Em meio ao meu inteiro sem ilusão,
Contemplo o fim do pecado virando perdão.
Em inteiro, ao meio do meu coração, metade segue com a minha razão.
"Ora non mi ami più ed ho sentito un colpo al cuore
quando mi hai detto che non vuoi stare più con me".
domingo, 10 de março de 2013
É tudo que é
É a mania tola de achar
que tudo vai mais rápido do que vem
e de repente dar de cara com você.
É o ato bobo de chamar
e me esforçar enquanto
o verso prévio de lá não convém
E ao mesmo tempo que vê
a troca acontece sem nem
sequer eu perceber
É a tensão de estar
de não conseguir não te tocar,
de te abrigar e afundar nos meus braços
e perder todo o compasso estando de pé.
É o frio na barriga que dá quando
você me vê, quando você não vê
e quando você se vai.
É a esquisitice de pensar
e você simplesmente aparecer.
A bobeira de gostar
e confundir com amar.
É a insensatez da efemeridade
que veio pra me ver.
É tudo que eu penso que é, mas não é.
que tudo vai mais rápido do que vem
e de repente dar de cara com você.
É o ato bobo de chamar
e me esforçar enquanto
o verso prévio de lá não convém
E ao mesmo tempo que vê
a troca acontece sem nem
sequer eu perceber
É a tensão de estar
de não conseguir não te tocar,
de te abrigar e afundar nos meus braços
e perder todo o compasso estando de pé.
É o frio na barriga que dá quando
você me vê, quando você não vê
e quando você se vai.
É a esquisitice de pensar
e você simplesmente aparecer.
A bobeira de gostar
e confundir com amar.
É a insensatez da efemeridade
que veio pra me ver.
É tudo que eu penso que é, mas não é.
"Time has brought your heart to me".
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Dois
Dois
Dois mundos
Dois minutos
Dois segundos
Dois apegos
Dois desejos, dói([s]im).
Dois problemas
Doi(s)em solução.
Dói sem lugar, sem expressão, sem vontade de ficar. Dói amargo e sem remédio, sem critério, sem uma continuidade retilínea de pensamento e exatidão. Como se não fosse aqui, se não fosse em lugar nenhum, se estivesse tudo errado e simplesmente as coisas não se pertencessem.
Dói melancolicamente com dois acordes e dois versos sem final.
"I wish I was special, you're so very special. But I'm a creep, I'm a weirdo, what the hell am I doing here? I don't belong here".
Dois mundos
Dois minutos
Dois segundos
Dois apegos
Dois desejos, dói([s]im).
Dois problemas
Doi(s)em solução.
Dói sem lugar, sem expressão, sem vontade de ficar. Dói amargo e sem remédio, sem critério, sem uma continuidade retilínea de pensamento e exatidão. Como se não fosse aqui, se não fosse em lugar nenhum, se estivesse tudo errado e simplesmente as coisas não se pertencessem.
Dói melancolicamente com dois acordes e dois versos sem final.
"I wish I was special, you're so very special. But I'm a creep, I'm a weirdo, what the hell am I doing here? I don't belong here".
domingo, 9 de dezembro de 2012
É.
É sempre o medo de pisar em falso
Com pés descalços de malícia da desilusão.
É sentir a vida anestesiada por cintilantes de felicidade
Dissoando e entonando o badalar do desfecho do atual conto de fadas.
É o medo de soltar a embreagem rápido demais
E deixar morrer no meio do caminho.
Deixar sem ter algum destino
O caminho que por um motivo percorri.
É a agonia de deixar um amor no leito de morte
Sem ao menos ter tentado por uma última vez.
É enxergar que sempre tem o pra sempre
Que uma hora já não faz mais sentido ser sempre e se torna nunca.
Nunca mais. Não sei. Eu sei?
Seus olhos julgam que eu sei,
Suas palavras me empurram e me afastam pra longe
E pra longe eu irei.
É o receio de falar algo,
De não fazer algo, e de repente não ser mais eu.
É novamente o medo,
Medo da perda,
De não ser suficiente,
Ou de fazer tudo errado,
E por fim não ser mais eu.
Com pés descalços de malícia da desilusão.
É sentir a vida anestesiada por cintilantes de felicidade
Dissoando e entonando o badalar do desfecho do atual conto de fadas.
É o medo de soltar a embreagem rápido demais
E deixar morrer no meio do caminho.
Deixar sem ter algum destino
O caminho que por um motivo percorri.
É a agonia de deixar um amor no leito de morte
Sem ao menos ter tentado por uma última vez.
É enxergar que sempre tem o pra sempre
Que uma hora já não faz mais sentido ser sempre e se torna nunca.
Nunca mais. Não sei. Eu sei?
Seus olhos julgam que eu sei,
Suas palavras me empurram e me afastam pra longe
E pra longe eu irei.
É o receio de falar algo,
De não fazer algo, e de repente não ser mais eu.
É novamente o medo,
Medo da perda,
De não ser suficiente,
Ou de fazer tudo errado,
E por fim não ser mais eu.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Abastar-me-ei, pequena
São teus olhos abastados
Que a mim tornam desesperados,
Obscuros, mausoléus entrelaçados.
O curto prazo do toque à longa distância do amor,
e a cerca, o toque suave da dor.
Ah pequena,
Ta vendo só como a tristeza é amena?
Você foi e nem sequer voltou
E eu aqui, inteiro estou
Sob a lua em seu esplendor.
Desejaria a ti o meu amor.
Queria a ti, transpor,
Que aqui o desejo uma vez que ficou, passou,
Jamais repousou.
Assim como o mais leve toque da mais leve pluma,
A marca em mim não transbordou.
Você acredita pequena?
Você acredita que a todo tempo que te quis
A todo tempo que não quis, necessidade de ti jamais existiu?
O tanto faz, tanto fez que nesse momento
Aparto o adeus do desentendimento.
Via esvair-se por entre os dedos,
Por entre o tremo e o extremo.
Vi abastar-se de mim, tu, e nem sequer tremi.
Que a mim tornam desesperados,
Obscuros, mausoléus entrelaçados.
O curto prazo do toque à longa distância do amor,
e a cerca, o toque suave da dor.
Ah pequena,
Ta vendo só como a tristeza é amena?
Você foi e nem sequer voltou
E eu aqui, inteiro estou
Sob a lua em seu esplendor.
Desejaria a ti o meu amor.
Queria a ti, transpor,
Que aqui o desejo uma vez que ficou, passou,
Jamais repousou.
Assim como o mais leve toque da mais leve pluma,
A marca em mim não transbordou.
Você acredita pequena?
Você acredita que a todo tempo que te quis
A todo tempo que não quis, necessidade de ti jamais existiu?
O tanto faz, tanto fez que nesse momento
Aparto o adeus do desentendimento.
Via esvair-se por entre os dedos,
Por entre o tremo e o extremo.
Vi abastar-se de mim, tu, e nem sequer tremi.
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