domingo, 14 de agosto de 2011

Arnaldo Jabor

"Não estou no “twitter”, não sei o que é o “twitter”, jamais entrarei nesse terreno baldio e, incrivelmente, tenho 26 mil “seguidores” no “twitter”. Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro da web. Ou buscamos a exposição total para ser “celebridade” ou usamos esse anonimato irresponsável com o nome dos outros. Tem gente que fala para mim: “Faz um blog, faz um blog!” Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais… Jamais farei um blog, esse nome que parece um coaxar de sapo boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo sobre o saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.

Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões “on line” e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.
O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação “em rede” para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas “on line”.

Quero sossego, mas querem me expandir, esticar meus braços em tentáculos digitais, meus olhos no “Google” (“goggles” – olhos arregalados) em órbitas giratórias, querem que eu seja ubíquo, quando desejo caminhar na condição de pobre bicho bípede; não quero tudo saber, ao contrário, quero esquecer; sinto que estão criando desejos que não tenho, fomes que perdi. Estamos virando aparelhos; os homens andam como robôs, falam como microfones, ouvem como celulares, não sabemos se estamos com tesão ou se criam o tesão em nós. O Brasil está tonto, perdido entre tecnologias novas cercadas de miséria e estupidez por todos os lados. A tecnociência nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas vivas, chips, pílulas para tudo, enquanto a barbárie mais vagabunda corre solta no país, balas perdidas, jaquetas e tênis roubados, com a falsa esquerda sendo pautada pela mais sinistra direita que já tivemos, com o Jucá e o Calheiros botando o Chávez no Mercosul para “talibanizar” de vez a América Latina. Temos de ‘funcionar’ – não de viver. Somos carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa. Assistimos a chacinas diárias do tráfico entre chips e “websites”.

O leitor perguntará: “Por que esse ódio todo, bom Jabor?” Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos. Mas estou com raiva por causa dos textos apócrifos que continuam enfiando na internet com meu nome.

Já reclamei aqui desses textos, mas tenho de me repetir. Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de emails me elogiando pelo que eu “não” fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam: “Teu artigo na internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro…’ “Não fui eu…”, respondo. Elas não ouvem e continuam: “Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ‘Tenho horror à mulher perfeitinha. Acho ótimo celulite…’” Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: “Ah… É teu melhor texto…” – e vão embora, rebolando, felizes.

Sei que a internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar. Mas a democracia também libera a idiotia. Deviam inventar um “antispam” para bobagens.

Vejam mais o que “eu” escrevi: “As mulheres de hoje lutam para ser magrinhas. Elas têm horror de qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba!…” Luto dia e noite contra cacófatos e jamais escreveria “cós acaba!” Mas, para todos os efeitos, fui eu. Na internet, eu sou amado como uma besta quadrada, um forte asno… (dirão meus inimigos: “Finalmente, ele se encontrou…”)

Vejam as banalidades que me atribuem:

“Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!”

Ou: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!”

Ainda sobre a mulher: “São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades”.

Há um texto bem gay sobre os gaúchos, há mais de um ano. Fui “eu”, a mula virtual, quem escreveu tudo isso. E não adianta desmentir.

Esta semana, descobri mais. Há um texto rolando (e sendo elogiado) sobre “ninguém ama uma pessoa pelas qualidades que ela tem” ou outro em que louvo a estupidez, chamado “Seja Idiota!”…

Mas o pior são artigos escritos por inimigos covardes para me sujar.

Há um texto de extrema direita, boçal, xingando os brasileiros, onde há coisas como: “Brasileiro é babaca. Elege para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari. Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de R$ 90 mensais para não fazer nada não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo. Noventa por cento de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como ‘aviãozinho’ do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora… O brasileiro merece! É igual a mulher de malandro – gosta de apanhar…”

E o pior é que muita gente me cumprimenta pela “coragem” de ter escrito essa sordidez.
Ou seja: admiram-me pelo que eu teria de pior; sou amado pelo que não escrevi.

Na internet, eu sou machista, gay, idiota, corno e fascista.

É bonito isso?"

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Text Message

"Near to you, i'm healing but it's taking so long. It's hard to move on".
Even when these days has gone. I need say. Almost a year and I really don't care what they or you think, it's obviously, i'm still "loving" you even with this distance and all troubles and I know, someday you'll find someone or maybe you have someone, but for me you are the only one. I can take all these girls, I can say all this crap, that I love someone and I have someone, and I'm better than fine, but is you who I want. You need to know, is you. In all this crap, is you. I NEED FOUND SOME PEACE. A piece of me is broken, without concert, I mean, is pass, I mean, what I'm speaking or singing? I want say this on your face, I need feel your breathing on me and your fingers, YOUR HUG. It's complicated, damn I supose say this for you and no in a song. I CAN'T HIDE, IT'S MUCH TO ME! Much feelings to hide, and well, I know, you have a life that you can't put behind but someday you will need view that is not the end of the world and when your family knew the truth will be the best thing. I really feel that i could love you for a long, not forever cause you know me, i don't believe, but for a good long time. I 'm here, pass almost one year and i'm still here, trying say this in your face, without word in a song, in a messenger or text messages.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Procura-se

Eu quero alguém que me chame para ir ao cinema, ao teatro ou até mesmo me convide para ficar em casa e ver algum filme ao invés de me chamar para festas fodas e drinks maravilhosos. Alguém que note os pequenos detalhes, que não esteja de ressaca no dia seguinte ou que aprecie boa música sem ter que se dedicar totalmente ao estilo. Alguém que queira estar certo na maioria das vezes ou falar coisas legais o tempo todo, mas que no fundo saiba que apenas 40% do que diz é verdade e não esconda este fato. Essa pessoa pode vir acompanhada de um sorriso, não precisa ser perfeito nem brancos demais, apenas que demonstre felicidade espontânea. Alguém que tenha abraços confortáveis para horas difíceis e que me encha o saco com os problemas dela, mas que respeite os meus momentos "autistas". Alguém legal, que saiba socializar e também goste de uma boa festa, mas que saiba valorizar o companheirismo ao invés de status ou coisas do tipo. Essa pessoa pode estar jogada em um canto de uma quitinete ou numa mansão, eu não ligo, porém que tenha senso e modestia e leve a vida a sério o suficiente para saber ser responsável sempre que precisar. Eu quero e acima do querer eu preciso de alguém que não julgue tanto, mas que cobre o suficiente para que eu saiba que estou sendo o melhor que eu posso ser. Quero alguém que me dê broncas de vez em quando e me mande dormir cedo, porque dormir tarde vai me prejudicar no dia seguinte. Alguém sem pretensão, sem paixão demais, sem romances exarcebados ou "platonicidade" demais, alguém realista, mas que saiba ser sensível no momento certo. Eu não faço destinção de sexo, até porque não exijo uma pretensão específica. Pode ser um(a) amigo(a), um(a) namorado(a), um(a) cunhado(a) ou até mesmo o/a porteiro(a) do meu prédio, eu não ligo. Alguém que compartilhe as idiotices da vida, que não leve tudo a sério demais e não ache situações "desconfortáveis" tensas porque afinal a convivência supera o desconfortável. Que seja responsável mas menos preocupado com as coisas. Que tenha o seu lado e não aceite mudá-lo facilmente e que mantenha os segredos que achar que deve manter, mas que deixe o lado bom prevalecer nas atitudes. Como eu disse, alguem que sorria, mas que chore também e peça por proteção em algum momento, que me faça sentir útil ou inútil, mas me faça sentir algo. Alguém por quem todos olham, mas pouco saibam o que realmente se passa atrás das máscaras. Alguém que me ofereça um chocolate quente ao invés de um copo de cerveja, ou um pirulito ao invés de um cigarro ou até mesmo balas ao invés de drogas. Alguém consciente, mas que saiba que o tempo de ser inconsciente é agora e deixe passar algumas coisas. Quero aquele(a) que valorize o passado, presente e futuro e me traga ao presente sempre que eu me prender a algum tempo diferente. Alguém que eu saiba que não vou ter todos os momentos da minha vida, mas que nos mais bobos ele(a) esteja lá. Alguém que saiba que o sempre tem prazo e que o amor são apenas quatro letras e que o signicado dos sentimentos não são iguais para todos os casos então não os rotule. Quero alguém com algumas dessas características e que esses não sejam familiares e que de preferência não se encaixem na mesma situação do eu lírico.

sábado, 2 de julho de 2011

Romeu e Julieta

Certa vez conheci um cara, idiota e apaixonado por sinal, e ele soava bobo a cada palavra que dizia. Sempre com suas músicas próprias, cantando por ai, fazendo serenatas para quem quisesse ver, quem quisesse ouvir. A cada encontro aleatório pela rua esse cara dizia "Eu e você, que tal?", meio sem pretensão nenhuma de chegar realmente a algum lugar, talvez esperando assim encontrar a sua Julieta. E de fato ele havia encontrado! Nem alta, nem baixa, bonita, doce, extressada, cabelos médios e castanhos, sorriso delicado e bonito, e olhos arrebatadores e confusos. Mas um porém, ela tinha alguém e esse cara, Romeu, insistia em lhe fazer serenatas aleatórias. Ele tentou, conseguio, jogou dados de jogos de sorte, mas não contava com o porém de perder seu coração num jogo que parecia ter tudo para dar certo. Talvez tenha sido apenas a hora errada, talvez a canção do filme que ele viu não tenha sido a certa para cantar naquela noite ou então fosse simplesmente a hora errada. Era um sonhador, eterno sonhador, andando por ruas turvas, sujas e malvadas. Mas dentre toda a podridão de ruas vergonhosas existia sempre um sonho, esse sonho que não era dele, eram de todos, talvez de Julieta. Ele apenas sonhava, por ele e por ela. E o engraçado é perceber que esse jogo de cartas de copas não passava de um acordo, Romeu era apenas um acordo, foi apenas aquele que ela achou enquanto se recuperava de ter perdido seu outro alguém. E ele dizia, gritava que a amava como as estrelas no céu, e amaria até morrer e que sempre existirá um lugar só para eles, mas ele é tolo, não consegue fazer uma canção de amor direito, sem ser clichê.Tudo o que ele fazia era sentir falta de Julieta e o jeito que costumavam ser, mantinha o ritmo e as más companhias e a beijava pelas barras de uma rima clichê. E um Romeu apaixonado cantava serenatas para a rua, acalmando todo mundo com uma canção de amor que ele fez. Encontrando uma luz conveniente, saindo da sombra e dizendo algo como "Eu e você querida, o que você acha?". Atordoado e apaixonado Romeu.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Getting Over

Você já se prendeu tanto em um sorriso ao ponto de não conseguir recomeçar após o sorriso se fechar para você? Já tentou evitar a pessoa que mais aparece no seu pensamento? Já ficou tão confuso ao ponto de querer desistir de tudo isso e mandar essa pessoa se fuder? Poisé, são os passos para pensar em recomeçar. Talvez os mais difíceis e que ninguém tenha vontade de encarar. O esquisito é pensar em estar com alguém tendo tantos problemas seus para resolver. O problema é que não sei , não tenho a mínima idéia de como proceder para recomeçar, e olha que eu venho tentando a pelo menos dez meses, longos meses a propósito. E enquanto estou com quem eu acredito amar, o que diga-se de passagem soa muito hipócrita da minha parte, o pensamento voa à um lugar que eu não faço a menor idéia de onde seja, mas tenho certeza que nenhum desses pensamentos passam pelo amor atual. Eu posso escutar todas as músicas possíveis, e passar madrugadas ouvindo The Killers e cantando pro vizinho "you and me baby, how about it?", que eu não vou seguir me livrar disso, isso que eu penso ser algum sentimento sem nexo e futuro. Eu não consigo entender por que essa vontade de pronunciar tanto o teu nome em conversas que não tem nada a ver com você e com amigos que nem lhe conhecem. Essa coisa involuntária de te chamar em pensamentos e achando que você um dia vai conseguir ler esses supostos pensamentos que não consigo lhe dizer. Eu te evito, evito em pensamentos e a medida que posso evito a pronuncia desse seu maldito nome, mas é involuntário, essa coisa, esse sentimento é subconsciente. Burro né esse meu subconsciente. Preciso de um grilo falante igual o do Pinóquio. Você pode dizer o que quiser, esse subconsciente é persistente, mesmo eu dizendo não.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

"Quem foi que disse que a vida é uma competição? A mídia? Daqui a pouco é marido contra mulher, irmão contra irmão e por aí vai. [...] A minha pobreza é a minha riqueza, sabe? E nessa sociedade competitiva, a minha derrota é a minha vitória". (Eduardo Marinho)

SOS, sós.

O último trago do cigarro é como ver o pôr do sol sozinho: quente, extasiante, mas numa súbita sinestesia tudo se torna tão contraditório, um paradoxo tão frio como a solidão que nos assola, gélido demais, a gente morde o beiço por não saber mais o que fazer, rangendo os dentes para enfim surgir aquele sorriso de lado, amarelo, meio sem jeito como uma voz dissonante desafinando toda a canção que a gente se esforça pra fazer com o ardor de uma boa companhia. No entanto, a gente cai na real e se toca que só uma pessoa é capaz de nos manter aquecido e, quando essa está longe, é pungente pensar que estamos sós. Tolos são os que pensam que a saudade serve para transformar qualquer coisa numa perfeição total. Eu prefiro infinitas vezes sofrer toda essa agonia com meu amor ao lado, pelo menos eu teria um ombro pra me apoiar e, agradecida, chorar até perceber o que realmente me faz bem.